LIBERDADE
NOS EUA SÓ A ESTÁTUA
PASTOR
Roberto Vicente Cruz Themudo Lessa
Foram 750.000 só em Londres. No resto do mundo, o 16 de fevereiro
foi pleno de protestos. Ninguém quer a invasão do Iraque,
por mais que se deteste a ditadura de Sadam. Nos vidros de carros
em São Paulo, NO WAR para ser entendido na língua universal.
Mas, nas mídia (e não “na mídia”,
porque é plural, sendo o singular “medium”) dos
EUA, a cobertura foi discreta. Parcimoniosa. Nada de manchetes de
6 colunas.
É mistér desmistificar a liberdade no país que
tanto alarde faz de ser a terra dela. Um lugar de onde se expulsou
Charles Chaplin, se endeusou um senador McCarthy, em que Bertrand
Russell foi impedido de lecionar e onde pensar diferente é
bloqueado por massacrante coercitividade social não nos queira
enganar.
CENSURA
PARA QUEM NÃO DIZ “AMÉM”
A
derrubada das torres de Nova Iorque trouxe à tona de novo esse
mito de que se pode dizer o que se quer na nação que
eles chamam de “América”.
Gore Vidal, 77, que, há mais de 50 anos castiga os governos
com suas críticas, não aguentou mais a censura e foi
morar na Itália. Não conseguiu publicar em seu país
“O fim da liberdade – rumo a uma era de totalitarismo”.
No estrangeiro, porém, o livro saiu, com a estátua da
liberdade na capa, amordaçada com uma bandeira americana.
Ficamos sabendo, então, que, só depois da segunda guerra
mundial, os EUA fizeram cerca de 400 bombardeios pelo mundo afora,
tornando irrisório o número de poucos milhares de mortos
no Centro Mundial de Comércio.
BEM
PARECIDO COM CUBA : OPINIÃO ÚNICA
A “Cartacapital” de 25-9-2001, com o título “Inteligência
sob ataque”, considerou a afinação dos meios de
comunicação dos EUA semelhante ao velho PRAVDA de Moscou,
uma só opinião. E o “Corriere de la sera”
de Milão, deu conta de que 1.170 rádios americanas,
com audiência de 110 milhões, foram sutilmente convidadas
a não tocar músicas “de esquerda”, mas só
o hino nacional e canções patrióticas no após-11
de setembro, exatamente como ocorreu entre nós no lamentável
31 de março de 1964.
Termino com um depoimento pessoal. Com uma bolsa do American Field
Service, morei um ano na Califórnia entre 1959 e 1960. Aos
17 anos, ao chegar, não tinha opinião alguma sobre o
que quer que fosse dos EUA. Após alguns meses, fui capaz de
ter uma visão crítica do sistema educacional de lá.
Intelectualmente, o nível do segundo grau deles é bastante
inferior ao nosso e todos sabem que cultura geral não é
com americano. Seu mundo é do tamanho do território
do seu país e olhe lá.
“NIHIL
NOVUM SUB SOLE”. TUDO VELHO.
Uma opinião diferente, de um jovem sulamericano, suscitou interesse
e alguns jornais da região publicaram minha visão. Fui
chamado pelo diretor do “Palo Alto Unified School District”,
dr. Karl Spangenberg, para uma conversa ao pé do fogo. Ele
pediu meu silêncio e, como desde aquela época, minha
consciência não está para alugar, os convites
para falar em almoços de Rotary, Lions, Kiwanis e outros clubes
de serviços, além de igrejas e entidades outras, pararanm
de chegar.
Faz bem tempo isso. Mas, como dizia Salomão no Eclesiastes,
“Nihil novum sub sole”, nada de novo debaixo do sol.
O reverendo Themudo Lessa, 62, é pastor da Igreja Presbiteriana
Independente do Brasil há 38 anos e integra a comissão
nacional de comemorações do centenário de sua
Igreja, que ocorrerá em 31 de julho.